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PED 2019

O PED e o PT que queremos no Pará

O processo de consulta às bases petistas, através do voto direto dos filiados no PED 2019, chegou na sua última fase em todo o Brasil. Mais de 351 mil petistas compareceram as urnas em 3.063 cidades. Esse é um elemento diferencial de um partido de massas, militante, forte e vocacionado para o exercício do poder.

No Pará, somente Belém teve 2º turno. Aproximadamente 78 mil filiados estavam aptos a votar em 128 cidades de todas as regiões paraenses. Ao final, mais de 18 mil compareceram as urnas, exerceram seu direito e ajudaram a fortalecer a democracia interna partidária. Conforme os votos obtidos pelas 5 chapas inscritas no processo estadual até o momento, pois existe alguns recursos eleitorais que podem alterar essa correlação de forças, as vagas de delegados ficaram assim distribuídas: 144 (AS); 109 (CNP/UL); 30 (DS); 9 (AE) e 8 (MS/MPT/RS), totalizando 300 delegados.

A partir de agora, todos os esforços estarão voltados para o Encontro Estadual, previsto para 19 e 20 de outubro. Os 300 delegados, eleitos pelas 5 chapas, terão o papel de eleger o novo presidente do PT Pará, sua direção estadual e definir os rumos do Partido que queremos na quadra vindoura no Pará.

Ao observarmos simplesmente os números de delegados e os agrupamentos políticos aos quais pertencem, poderíamos afirmar que será um Encontro Estadual tranquilo do ponto de vista político, haja vista que somente o Campo Majoritário, que dirige o PT Pará historicamente, possui 253 delegados (85%), logo suas teses temáticas prevalecerão legitimamente. Os demais setores, autodenominados de “esquerda” (sem entrar no mérito do que isso realmente quer dizer) tem 47 delegados, ou seja, apenas 15% dos votos. É pouco demais pra modificar o debate em torno dos rumos e eixos das teses majoritárias.

Caso considerarmos a postagem de agradecimento do candidato Beto Faro, representante da chapa mais votada no PED Pará, de que os 8 votos dos delegados da chapa formada por MS/MPT/RS já estão fechados com ele (é fato que teve o apoio deles em todo o processo), restam 39 votos (13%) aos autodenominados “esquerda petista”, ou seja 13%, que ainda podem ser menor para efeitos de votação. Caso todas essas considerações acima sejam verdadeiras, o que de fato ou de fundo estará no centro do debate em disputa no Encontro Estadual dos 300 cabanos petistas? O Lula Livre Já? A questão da Amazônia e do meio ambiente? A tática e estratégia 2020/2022? A política de alianças do PT? A avaliação do governo do MDB no Estado, do qual timidamente o PT faz parte? A ampliação da participação do PT no Governo Helder e na definição de suas principais políticas públicas? A vaga de senador, hoje ocupada pelo companheiro Paulo Rocha? A questão de gênero, étnica e geracional? O combate ao fascismo e ao avanço da agenda ultraconservadora no país em todas as áreas? Uma nova forma organizativa do PT e sua relação com os filiados e os movimentos sociais nos municípios? Um novo modelo da forma petista de legislar, governar e se comunicar? O financiamento e a questão dos métodos e princípios da construção partidária?

Enfim, dependendo do conjunto das respostas, do nível e da qualidade dos debates sobre às questões acima levantadas, que ocorrerão no Encontro, poderemos afirmar, com certeza, que tudo que aconteceu durante o PED, valeu a pena! Vamos ao debate! Viva o PT!!!

*Por Luís Freitas: professor, jornalista e membro da Coordenação da Unidade na Luta Pará

Além disso, verifique

Edmilson Rodrigues (Psol) e Edilson Moura (PT) pré-candidatos à prefeitura de Belém. 

Foto: Carolina Oliveira

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