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DIRCEU

DIRCEU PROPÕE QUE LULA DEFENDA UM PROJETO PELA PAZ E O BEM VIVER

Estou preocupado com as perspectivas e o futuro da minha geração. Estou muito mais preocupado, ainda, com o amanhã das crianças de hoje e de todas as pessoas que ainda irão nascer, inclusive com os filhos que sonho ter.

Sinto que a humanidade está chegando numa encruzilhada. Não pode mais seguir em linha reta. Precisa dobrar para a via transversal ou estará fadada ao seu extermínio. É insustentável a continuidade do processo da concentração da riqueza e da renda, o aumento da pobreza e da violência, bem como a cultura de produção e consumo, predatórias e insustentáveis, sobretudo dos recursos naturais.

Em todas as dimensões, é visível que estamos caminhando, a passos largos, para uma sociedade pós-capitalista. A grande dúvida é se ela será mais justa ou ainda mais injusta do que a atual.

Assim como a superação da sociedade escravocrata não se deu unicamente pela reação de escravos, a mudança estrutural, que está em curso, também não resultará somente da força da organização dos explorados e excluídos. Com a financeirização da economia e a robotização, as relações de trabalho e de produção vão se tornando cada vez menos determinantes.

Vejo o ser humano cada vez mais alienado, inseguro e nervoso. Cresce o número de deprimidos e de suicídios. A maioria da juventude está apática, sem perspectivas. O amor e a solidariedade entre as pessoas estão cedendo cada vez mais o lugar para o isolamento (celular), o individualismo, o ódio e a violentação dos direitos e da dignidade humana, em quase todos os cantos do planeta.

O clima de acirramento do ódio, na conjuntura nacional, também está nos levando a uma encruzilhada. A violência patrocinada e provocada por grupos conservadores, durante a Caravana do Lula no Sul do Brasil, é inaceitável. Por isso, o PT precisa se apressar para apontar o rumo da guinada, antes que outros o façam, em favor “dos interesses do Império e de seus cúmplices”.

O Partido dos Trabalhadores precisa, de imediato, assumir a liderança de um grande movimento de unidade nacional, uma “revolução intercultural” por justiça social, paz e bem viver.

Pensar em solução pelo acirramento do conflito e pela vitória por quem tiver “mais força” ou “mais armas”, certamente, não será o melhor caminho. A história brasileira e mundial já nos mostrou isso várias vezes. Sabemos que o único caminho viável e sustentável é pela paz e a democracia, com a ativa participação da maioria, em particular, da juventude.

Para tanto, defendemos a estratégia da “justiça restaurativa”, que busque a restauração interativa dos danos causados por atos de violência e pelas contradições da atual realidade social, econômica e cultural. Nos inspiremos na recente experiência de Nelson Mandela e nos movimentos libertários, como o da Irlanda do Norte.

Propomos que a direção nacional do PT analise com carinho a proposta de metodologia, já encaminhada ao Gilberto Carvalho, depois de uma interlocução com várias pessoas, e que já deve ter chegado à presidenta Gleisi. Esta foi assinada por Luiz Carlos Pies (membro do Diretório Nacional do PT e da Frente Brasil Popular) e por Dan Baron (gestor cultural amazônico do Projeto Rios de Encontro e do Fórum Internacional Bem Viver).

A proposta foi divulgada em vários grupos de Whatsapp, mas, em função da tensão atual, poucos a leram.

Esta proposta metodológica sugere que “o PT precisa se antecipar, em pelo menos uma geração, na resposta aos novos desafios da sociedade: da IV Revolução Industrial; do Pós-Capitalismo; do ‘mundo de trabalho robotizado’; da crescente concentração da riqueza e da renda; da ‘justiça privatizada’; da falta de perspectivas humanitárias, de segurança e de esperança”.

Sugere inovar em muito o Projeto Transformador (PT), na metodologia e no conteúdo, com o objetivo de empolgar a militância e resgatar a confiança (esperança) da sociedade. Em vez de “um Projeto de Desenvolvimento” (conceito já capturado e deturpado), propomos “um Projeto Transformador, pela Paz e o Bem Viver”, com o envolvimento comunitário sustentável.

A citada proposta metodológica, enfim, sugere um caminho para fazer a juventude encantar-se e engajar-se no novo projeto político; e o povo brasileiro recuperar a confiança no PT e na política, neste próximo período histórico (novo ciclo).

Certamente, estas são condições indispensáveis, não somente para a eleição de Lula, mas, sobretudo, para revogar, logo em seguida, as medidas anti-societárias do governo ilegítimo e realizar as reformas estruturantes inadiáveis, que não conseguimos fazer nos primeiros 13 anos de governo. Uma profunda Reforma Política e Tributária, do Poder Judiciário e do poder da mídia, por exemplo, somente será possível através de uma constituinte exclusiva e soberana, conquistada e eleita com muita participação popular.

Por tudo isso, precisamos “apressar o tempo”.

Acredito que ainda dê tempo.

 

*Dirceu ten Caten, 28 anos, é advogado, com especialização em “Direito Público” e em “Gestão Estratégica em Políticas Públicas”, Deputado Estadual e Líder da Bancada do PT na ALEPA, Secretário de Juventude do Parlamento Amazônico e Vice-presidente da Secretaria de Juventude da UNALE (União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais do Brasil).

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